• Inquérito da ANAUDI revela retração da atividade da rede convencionada, num contexto marcado pela desatualização prolongada das tabelas de atos convencionados.
• Unidades de imagiologia realizaram cerca de 5,8 milhões de atos em 2025, no âmbito das convenções com o SNS, representando uma componente essencial da capacidade assistencial.
• Atualização das tabelas convencionadas de radiologia constitui um passo relevante para reforçar a sustentabilidade e apoiar a recuperação da capacidade de resposta da rede.
Lisboa, 23 de março de 2026 – A ANAUDI — Associação Nacional de Unidades de Diagnóstico por Imagem divulga hoje os resultados do inquérito à atividade das unidades associadas, relativo a 2025, que evidenciam a essencialidade da rede convencionada de imagiologia para o funcionamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS), e revelam uma retração da atividade da rede, particularmente no âmbito do SNS, enquadrando a recente atualização das tabelas de atos convencionados como um desenvolvimento relevante para a recuperação do setor, após mais de uma década sem revisão.
O inquérito permitiu recolher informação detalhada sobre a dimensão organizacional das unidades, a atividade assistencial desenvolvida, a estrutura de financiamento, os principais fatores condicionantes da atividade e as perspetivas para a sua evolução, revelando que, em 2025, foram realizados cerca de 8,5 milhões de atos de diagnóstico pelas unidades de imagiologia, abrangendo aproximadamente 5,2 milhões de utentes, e refletindo uma redução face ao ano anterior, no qual tinham sido registados cerca de 9,7 milhões de atos e 6,8 milhões de utentes atendidos.
Esta evolução é particularmente expressiva no âmbito do SNS, onde se registou uma redução de cerca de 894 mil atos, de 6,7 milhões em 2024 para 5,8 milhões em 2025, acompanhada por uma diminuição do número de utentes atendidos, que passou de cerca de 4,7 milhões em 2024, para 3,6 milhões em 2025.
Estes dados confirmam a importância da rede convencionada de imagiologia no funcionamento do SNS que, apesar da redução observada em termos absolutos, continua a representar cerca de 68% do total de atos realizados e de utentes atendidos pelas unidades de diagnóstico pela imagem.
Os resultados evidenciam, ainda, sinais de retração da rede convencionada em 2025, que se traduzem numa diminuição do número de atos realizados e de utentes atendidos, em particular no âmbito do SNS, evolução que se enquadra no contexto crítico que o setor atravessou, marcado pela desatualização prolongada das tabelas de atos e valores convencionados, fator que as unidades identificam, de forma unânime, como tendo impacto elevado na sua atividade.
A redução do acesso à rede convencionada, decorrente da prolongada ausência de atualização das tabelas do SNS, deve ser enquadrada na compreensão das dificuldades atualmente sentidas por diversos setores do sistema de saúde na realização de exames de radiologia e de medicina nuclear, bem como, em paralelo, no aumento da procura destes atos no segmento privado não convencionado. Esta evolução evidencia a necessidade de assegurar a sustentabilidade e o adequado funcionamento da rede convencionada, enquanto componente essencial de uma resposta integrada aos utentes do SNS.
A Associação sublinha, contudo, que os resultados apresentados não incorporam ainda os efeitos da atualização das tabelas de atos convencionados na área da radiologia, introduzida pelo Despacho n.º 2312/2026, de 23 de fevereiro de 2026, e que se encontra em vigor desde 1 de março de 2026.
“A atualização das tabelas de atos convencionados representa um desenvolvimento muito relevante para o setor da imagiologia, na medida em que vem responder a um período prolongado de desatualização que condicionou a atividade das unidades. Os dados de 2025 devem ser interpretados neste enquadramento, sendo previsível que a revisão agora introduzida contribua para a recuperação gradual da atividade e para o reforço da sustentabilidade económica das unidades, ainda que possa não ser suficiente, por si só, para repor plenamente os níveis de acessibilidade”, afirma Eduardo Moniz, Presidente da ANAUDI.
Em termos económicos, o setor gerou, em 2025, um volume de negócios de cerca de 290,9 milhões de euros, refletindo a forte integração da rede convencionada no funcionamento do sistema de saúde. Acresce que as unidades de diagnóstico pela imagem empregam cerca de 10 mil profissionais, evidenciando a relevância económica e social desta atividade.
A ANAUDI sublinha, por fim, a importância de assegurar a continuidade do processo de revisão das tabelas convencionadas, com critérios de periodicidade, transparência e adequação técnica, de forma a garantir a sustentabilidade do setor e a preservar o contributo decisivo da imagiologia para o acesso dos utentes ao diagnóstico em tempo útil.
O Inquérito à Atividade das Unidades de Diagnóstico pela Imagem, relativo ao ano de 2025, pode ser consultado em anexo.
Sobre a Associação Nacional de Unidades de Diagnóstico por Imagem (ANAUDI)
A ANAUDI (Associação Nacional de Unidades de Diagnóstico por Imagem) foi constituída a 15 de outubro de 1996, tendo como objetivo a representação e defesa dos interesses das unidades de diagnóstico por imagem, designadamente nas áreas da radiologia e da medicina nuclear.
Mais informações em Associação Nacional de Unidades de Diagnóstico por Imagem.


