O mais recente inquérito da Euroconsumers, realizado junto de 10 mil cidadãos em 10 países, sugere que os europeus querem uma União Europeia mais forte, mais autónoma, que ouça os consumidores e lidere com confiança no cenário global.
Portugal, 28 de abril de 2026 – A Euroconsumers, que integra a DECO PROteste, acaba de divulgar os resultados do novo inquérito europeu: “Consumidores como Atores Geopolíticos: o que os europeus esperam da UE num mundo em mudança”. O inquérito, realizado em fevereiro de 2026 junto de cerca de 10 mil inquiridos na Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Hungria, Irlanda, Itália, Polónia, Portugal e Espanha, revela um continente num ponto de viragem: orgulhoso dos seus valores, preocupado com o seu futuro e a exigir uma União Europeia mais assertiva.
Principais conclusões: uma Europa respeitada, mas ainda pouco temida
Os europeus orgulham-se das conquistas da União Europeia: reconhecem-na como uma potência económica global e uma referência em qualidade de vida. No entanto, apenas um terço vê a EU como uma grande potência militar e muitos consideram que a sua influência, no cenário internacional, fica aquém do seu potencial. Da Ucrânia a Gaza, os europeus querem uma liderança que esteja à altura do peso económico e moral da UE.
Uma relação transatlântica sob pressão
O inquérito evidencia uma mudança na forma como os europeus encaram a sua relação com os Estados Unidos. A histórica aliança transatlântica, outrora vista como um pilar de estabilidade, atualmente é vista com algum ceticismo: apenas 28% dos inquiridos acredita que os EUA vão continuar a ser um parceiro fiável, enquanto cerca de 50% defende que a UE deve dar prioridade à construção de novas alianças.
Isto reflete anos de tensões políticas e económicas, desde divergências em política externa até à imposição de tarifas e medidas unilaterais por parte de Washington. Para muitos, esta relação deixou de ser de entendimento automático, passando a ser cada vez mais moldada pelo pragmatismo e pela cautela.
Ainda assim, não se trata de uma rejeição total dos Estados Unidos. Cerca de 44% continua a apoiar o entendimento entre a UE e os EUA, mas esse apoio é condicional e frágil. As opiniões variam entre os Estados-Membros, revelando um panorama fragmentado. De forma geral, os europeus esperam que a UE atue com maior independência, mantendo a cooperação com os EUA sempre que os interesses estejam alinhados.
Comércio e tarifas: pragmatismo acima da política
• Ásia como prioridade de parceria — à frente dos EUA: os europeus estão cada vez mais a olhar para além das alianças tradicionais, com muitos a dar maior importância ao reforço das relações comerciais com a Ásia e a China.
• Tarifas como instrumento político: 74% acredita que os EUA utilizam tarifas para pressionar a UE, e 70% defende que Bruxelas deve responder com contra-tarifas, mas não a qualquer custo. Os consumidores são claros: não estão dispostos a abdicar da segurança alimentar ou dos direitos digitais em troca de importações mais baratas.
• O comércio como diplomacia: 80% encara os acordos comerciais como uma forma de construir parcerias políticas, embora espere, que sejam previstas salvaguardas para garantir a manutenção dos padrões.
Europa primeiro, mas a que custo?
Os europeus apoiam, na sua maioria, a ideia de uma Europa mais forte e autossuficiente. Querem que a UE invista em tecnologia, assegure o abastecimento alimentar e energético, e conclua o Mercado Único Europeu. No entanto, embora 76% afirme preferir comprar produtos europeus, apenas metade está disposta a pagar mais por isso — refletindo as atuais pressões do custo de vida.
Solidariedade com limites
Quando se trata de enfrentar pressões globais, os europeus demonstram uma forte solidariedade: 72% apoia a Dinamarca e a Gronelândia face aos interesses dos EUA. No entanto, há um aviso: mais de metade afirma que a própria estabilidade económica deve vir em primeiro lugar. A mensagem é clara: a UE não pode pedir aos cidadãos que suportem o custo de posições geopolíticas sem um plano para proteger os seus meios de subsistência.
Um otimismo frágil
Apesar de muitos europeus mostrarem preocupação com o aumento dos custos, a segurança e a crescente instabilidade mundial, continuam a acreditar nos valores fundamentais da UE. Mais de metade está confiante de que os direitos humanos e a democracia na Europa vão permanecer fortes, independentemente dos desafios que possam surgir.
Dar voz ao consumidor no debate global da Europa
“Este inquérito dá voz aos 450 milhões de consumidores europeus, que muitas vezes são deixados de fora dos grandes debates que moldam o seu futuro”, afirma Els Bruggeman, responsável pela área de Advocacy e Enforcement da Euroconsumers. “Os nossos resultados mostram que os europeus são pragmáticos: querem mercados abertos e comércio global que garanta padrões elevados, bem como a capacidade da Europa de se afirmar por si própria. Não estão a pedir à UE que se afaste do mundo, querem que lidere com confiança, protegendo os valores e a qualidade de vida que a definem. Na Euroconsumers, acreditamos que capacitar os consumidores não é apenas uma questão de proteção: é também desbloquear o seu poder para impulsionar melhores mercados e uma Europa mais forte.”
Sobre a Euroconsumers
A Euroconsumers reúne seis organizações nacionais de consumidores e dá voz a mais de 6 milhões de pessoas na Bélgica, Itália, Polónia, Portugal, Espanha e Brasil. É o principal grupo de consumidores do mundo na disponibilização de informação inovadora, serviços personalizados e na defesa dos direitos dos consumidores.
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