“Joias de Família: o Belo Comestível” convida portugueses a transformar memórias culinárias em peças de museu
Pela primeira vez em Portugal, as receitas de família, guardadas em cadernos antigos, transmitidas oralmente ou recriadas ao longo de gerações, serão tratadas como património cultural vivo, e digno de exposição em espaços museológicos de referência. A iniciativa “Joias de Família: o Belo Comestível”, promovida pelo Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos (CECH) da Universidade de Coimbra, convida pessoas de todo o país a partilharem as suas receitas, histórias e memórias culinárias até ao próximo dia 25 de abril.
As receitas selecionadas vão integrar uma exposição inédita em Portugal que estará presente no Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra, entre os dias 20 de maio e 19 de junho, e no Centro Cultural de Belém (Foyer Luís de Freita branco), em Lisboa, no dia 21 de maio.

A ideia parte de um princípio simples, tal como as joias de família, também as receitas herdadas carregam histórias, afetos e identidades. Agora, pela primeira vez, essas memórias podem sair do espaço privado e ganhar visibilidade pública, num gesto que democratiza o conceito de património alimentar.
Para participar não é necessário ter uma receita de família escrita por um antepassado ou possuir caderno de receitas escritos. Basta ter aprendido uma receita por ver fazer ou por lhe ter sido transmitida oralmente.
“As receitas de família são arquivos vivos de memória, identidade e pertença. Ao trazê-las para o espaço museológico, estamos não só a valorizá-las como património cultural, mas também a democratizar o próprio conceito de património, envolvendo diretamente as pessoas na sua construção e reconhecimento”, afirma Carmen Soares, Investigadora e Coordenadora Científica do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
A iniciativa integra-se em três dimensões estruturantes:
· A investigação desenvolvida pelo Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra
· Projeto europeu CONVIVIUM: New European Bauhaus Solutions in Food, Living Heritage, and Conviviality
· As comemorações dos 10 anos do doutoramento em Patrimónios Alimentares: Culturas e Identidades, o único em Portugal dedicado a esta área, assinaladas pelo colóquio “Pensar a Comida. Patrimónios Alimentares – 10 Anos de Investigação & Ensino” (20 e 21 de maio de 2026, Museu Nacional Machado de Castro e CCB)
A exposição será construída a partir dos contributos submetidos por participantes de todo o país e integrará:
· Pratos confecionados: Uma seleção de receitas será executada pelas Escolas de Hotelaria de Coimbra e Lisboa, sendo apresentada ao público como peças expositivas — e, num gesto que reforça o carácter vivo e convivial do património alimentar, degustadas no final.
· Cadernos de receitas manuscritos: Os tradicionais cadernos de cozinha, muitas vezes passados entre gerações, serão exibidos enquanto objetos patrimoniais, numa dimensão que valoriza a materialidade da memória culinária.
· Receitas em formato visual: As receitas submetidas que não sejam selecionadas para confeção integrarão a exposição através de suportes visuais, garantindo a representatividade e diversidade dos contributos.
No caso da exposição patente no Museu Nacional Machado de Castro, a exposição mantém-se aberta ao público até ao dia 19 de junho (a partir de 21 de maio, as “joias” consumidas no dia 20 serão substituídas por fotos). As peças expostas incluem cadernos manuscritos de receitas (enviados por pessoas que desejem participar), além de louça de mesa e pinturas de temática alimentar do espólio do museu.
As inscrições para submeter à exposição as receitas de família podem ser realizadas até ao próximo dia 25 de abril através do seguinte formulário:
Outra forma de contacto para o público enviar as suas “joias de família”:

