O mercado livreiro português registou, em 2025, um crescimento de 7,6% em valor e de 6,9% em unidades vendidas, totalizando cerca de 217,5 milhões de euros e 14,8 milhões de livros vendidos ao longo do ano. Os dados, apurados pela GfK – an NIQ company, refletem uma evolução positiva face a 2024, mas que deve ser encarada com prudência e moderado otimismo.
Apesar do crescimento registado, a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) sublinha que uma parte significativa desta evolução está associada ao desempenho excecional de uma categoria específica: os livros de colorir mandala e infantis. Tal tratou-se de um fenómeno de tendência ao longo de 2025, com forte impacto nas vendas, mas que não corresponde, necessariamente, a um aumento estrutural da leitura nem à captação de novos leitores.
“Os dados mostram uma evolução positiva do mercado, mas é fundamental não confundir crescimento conjuntural com crescimento estrutural. Uma parte relevante deste resultado resulta de um fenómeno de consumo específico, que não se traduz automaticamente num aumento da leitura nem da literacia”, afirma Miguel Pauseiro, presidente da APEL.
Outro dado relevante prende-se com a evolução do preço médio do livro, que registou um aumento de apenas 0,6% em 2025, fixando-se nos 14,66 euros. Este valor situa-se claramente abaixo da taxa de inflação estimada para o período, que rondou os 2,3%, o que permite concluir que as editoras continuam a absorver uma parte significativa do aumento dos custos de produção, logística e matérias-primas. Para Miguel Pauseiro, “este esforço reflete o compromisso contínuo das editoras em manter o livro acessível, num contexto económico exigente, assegurando que o preço não se torna uma barreira ao acesso à leitura e ao conhecimento”.
Os dados da GfK indicam ainda que o crescimento do mercado ocorreu num contexto de estabilidade dos principais canais de venda, com as livrarias e outros pontos especializados a representarem cerca de 78,5% do valor total do mercado, mantendo um papel central na cadeia do livro em Portugal. Em 2025, foram vendidos quase 15 mil novos títulos, sinal da vitalidade editorial e da capacidade de investimento das editoras, apesar de um contexto económico desafiante.
“A evolução positiva dos indicadores deve ser encarada com responsabilidade e visão de longo prazo”, acrescenta Miguel Pauseiro. “O verdadeiro desafio é transformar estes sinais de crescimento num reforço consistente dos hábitos de leitura, especialmente entre crianças e jovens, garantindo que o livro continua a ocupar um lugar central no desenvolvimento cultural, educativo e social do país. O papel da família e da escola é decisivo!”
A APEL reafirma que o livro e a leitura são pilares fundamentais para o desenvolvimento cultural, social e económico de Portugal, defendendo a continuidade de políticas públicas que promovam o acesso ao livro, apoiem a rede de livrarias, reforcem bibliotecas e valorizem a criação editorial em língua portuguesa, garantindo que o crescimento do mercado se traduza, efetivamente, num aumento sustentado da literacia.
Os dados apresentados dizem respeito ao período de janeiro a dezembro de 2025 e têm por base o painel GfK, que audita as vendas ao consumidor final de uma amostra representativa do mercado português, com uma cobertura estimada de cerca de 85% do total do mercado.
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