· Introdução de nova geração de agentes de IA com contexto organizacional, capazes de integrar dados empresariais e executar tarefas de forma autónoma
· Lançamento de novos modelos de IA, incluindo o MAIThinking1, o primeiro modelo de raciocínio da Microsoft, para tarefas complexas e geração de código
· Disponibilização da Microsoft Discovery, plataforma que aplica agentes de IA ao processo científico para acelerar investigação e inovação
· Apresentação do Majorana 2, o novo chip quântico da Microsoft, que marca um avanço decisivo para escalar a computação quântica até ao final da década
Lisboa, 03 de junho de 2026 – A Microsoft anunciou, no Microsoft Build 2026 - o maior evento mundial de tecnologia para developers e públicos técnicos - um conjunto de inovações que reforçam a evolução do desenvolvimento de software para uma nova fase, marcada por sistemas baseados em agentes, inteligência artificial omnipresente e plataformas abertas, seguras e multimodelo.
As plataformas evoluem quando os developers constroem, exploram, escolhem ferramentas, experimentam e criam. Nesta nova fase, isso implica desenvolver rapidamente, mas também operar, otimizar e observar sistemas de forma contínua, protegendo infraestruturas, aplicações e agentes desde o primeiro momento até à sua implementação em produção.
Atualmente, ser developer implica uma dualidade crescente: por um lado, a liberdade de experimentar e escolher ferramentas e modelos; por outro, a responsabilidade de construir sistemas que exigem governação, segurança e confiança desde o primeiro dia. Mais do que novas formas de desenvolver aplicações, os programadores procuram contexto, conhecimento e capacidade de escolha, bem como acesso ao modelo certo para o problema certo, com controlo e confiança integrados.
Nesta edição do Build, há muitas novidades, mas três tendências fundamentais destacam-se e ajudam a definir esta nova era de desenvolvimento. A primeira é o avanço de uma inteligência verdadeiramente personalizada, que permite aos developers criar agentes ancorados no seu contexto e no conhecimento do mundo. A segunda é uma abordagem integrada à full stack, que oferece liberdade para construir com as ferramentas e modelos escolhidos, do dispositivo à cloud. Por fim, a evolução dos sistemas agênticos para além do código amplia o seu impacto na ciência e na inovação. Em conjunto, estas tendências apontam para um ecossistema multimodelo que reforça o controlo, a flexibilidade e a capacidade de inovação dos developers.
Agentes mais inteligentes e profundamente contextualizados
No centro da evolução está a Microsoft Agent Platform, agora reforçada com o Microsoft IQ, uma nova camada de contexto que permite fundamentar os agentes tanto no conhecimento do mundo como no conhecimento específico das organizações. O objetivo passa por transformar dados, conhecimento e forma de trabalhar em sistemas que aprendem continuamente e produzem melhores resultados, reforçando a capacidade das empresas de desenvolverem inteligência própria.
Esta abordagem articula diferentes dimensões de contexto. O Work IQ capta a forma como o trabalho acontece no Microsoft 365, em sistemas organizacionais e em fontes externas, ligando pessoas, e-mails, documentos, reuniões e a forma como estes se interligam. As APIs do Work IQ permitem ainda acesso programático a esta camada de inteligência, disponibilizando aos agentes o contexto necessário para operarem de forma eficaz nas organizações. O Fabric IQ introduz uma base semântica partilhada sobre dados empresariais estruturados, enquanto o Foundry IQ integra estas capacidades e permite o planeamento da recuperação de informação tanto a partir do conhecimento interno como da web em tempo real.
A estes junta-se o Web IQ, agora anunciado, que oferece a forma mais rápida de fundamentar agentes em informação do mundo real, a uma velocidade 2,5 vezes superior à alternativa seguinte mais eficaz, permitindo aos agentes acederem a informação atualizada com maior eficiência. Em paralelo, a Microsoft está também a expandir estes cenários para novos formatos de interação, nomeadamente agentes autónomos sempre ativos. O Microsoft Scout, construído no OpenClaw e no Work IQ e disponibilizado a clientes Frontier, é um exemplo desta abordagem. Funciona como um agente pessoal de trabalho que compreende a forma como cada utilizador trabalha, integra ferramentas como Teams e Outlook e atua de forma proativa em tarefas como a preparação de reuniões, a gestão de agenda e outras atividades recorrentes.
Novos modelos e um ecossistema verdadeiramente multimodelo
O Microsoft Build 2026 marca também um avanço significativo na estratégia multimodelo da Microsoft, com o lançamento de uma nova família de modelos desenvolvidos internamente, reforçando a diversidade, a abertura e a flexibilidade da plataforma.
Entre os destaques está o MAI-Thinking-1, o primeiro modelo de raciocínio da Microsoft AI, concebido para cenários que exigem instruções complexas de múltiplas etapas, raciocínio em contextos longos e geração de código. Trata-se de um modelo de dimensão intermédia, otimizado para eficiência e desempenho, com custos por token reduzidos e treinado de raiz sobre dados de qualidade empresarial e comercialmente licenciados.
A este juntam-se outros modelos da família MAI, orientados para diferentes tipos de workloads, incluindo geração e transformação de imagem (MAI-Image-2.5), transcrição com elevada precisão em múltiplas línguas (MAITranscribe1.5), capacidades de voz (MAI-Voice-2) e modelos especializados em desenvolvimento de software integrados em ferramentas como o GitHub Copilot e o Visual Studio Code (MAI-Code-1).
Em conjunto, esta abordagem reforça um ecossistema verdadeiramente multimodelo, permitindo aos programadores escolher os modelos mais adequados a cada problema, não apenas dentro do catálogo da Microsoft, mas também em plataformas como Fireworks AI, Baseten e OpenRouter. Tudo isto sem comprometer uma experiência unificada, com governação empresarial e residência de dados asseguradas.
Segurança e governação integradas em toda a plataforma
Num contexto em que os sistemas agênticos ganham escala e autonomia, a Microsoft reforça a integração de segurança e governação como pilares estruturais da sua plataforma.
O Agent 365 para agentes locais introduz um plano de controlo unificado que estende capacidades como Entra, Defender e Purview a todo o ecossistema de agentes, permitindo observar, governar e proteger sistemas independentemente da sua localização ou framework. Esta abordagem permite combinar velocidade de desenvolvimento com controlo operacional, um requisito essencial em ambientes empresariais.
A estratégia é complementada por uma stack aberta de confiança para agentes de IA, suportada por iniciativas open source como o ASSERT, para avaliação de segurança orientada por políticas, e o Agent Control Specification, que define modelos consistentes para aplicação de controlos ao longo do ciclo de vida dos agentes.
Adicionalmente, o sistema Codename MDASH introduz uma abordagem de segurança baseada em múltiplos agentes, capazes de identificar vulnerabilidades exploráveis recorrendo à análise de fluxos de dados, lógica de negócio e cadeias de exploração, propondo correções contextualizadas diretamente no Defender Portal.
Desenvolvimento contínuo, da máquina local à cloud
O Microsoft Build destacou uma visão integrada do desenvolvimento na era da IA, em que a inteligência se estende de forma contínua do dispositivo à cloud.
Ao nível do hardware, o Surface RTX Spark Dev Box foi concebido para cargas de trabalho intensivas, incluindo treino prolongado de modelos, pipelines de IA e ajuste local, permitindo executar modelos de grande escala diretamente na máquina, sem necessidade de recorrer a infraestrutura cloud dedicada.
No sistema operativo, o Windows evolui para um runtime nativo para agentes. Os Microsoft Execution Containers (MXC) permitem criar ambientes isolados de nível empresarial. Esta tecnologia está agora a ser utilizada pelo OpenClaw no Windows, permitindo a execução de fluxos de trabalho com várias etapas dentro destes limites impostos pelo sistema operativo.
Na cloud, o Foundry Agent Service introduz um modelo de execução escalável, com ambientes isolados por sessão, memória persistente e elasticidade dinâmica, aproximando o desenvolvimento de agentes da lógica introduzida pelos contentores nas aplicações cloud-native.
Ao nível das ferramentas, a nova GitHub Copilot App, agora em preview, traz o desenvolvimento agêntico para uma experiência desktop nativa, de modo a suportar fluxos de desenvolvimento mais autónomos e orquestrados, permitindo aos programadores trabalhar de forma contínua e manter o controlo ao longo de todo o ciclo de desenvolvimento.
Do ponto de vista da plataforma, o Project Rayfin introduz um modelo de backend-as-a-service integrado no Microsoft Fabric, permitindo passar do protótipo à produção sem gerir infraestrutura. A integração com o Replit simplifica este processo com governação desde o início. À medida que as aplicações escalam, o Azure HorizonDB, um serviço PostgreSQL totalmente gerido em Azure, assegura desempenho e fiabilidade.
IA a acelerar a ciência e a inovação
Para além do impacto no desenvolvimento de software, a Microsoft destaca o papel crescente da inteligência artificial na transformação da investigação científica.
A Microsoft Discovery, agora disponível de forma geral, oferece uma plataforma agêntica que suporta todo o ciclo científico, permitindo aos investigadores acelerar processos de descoberta, testar hipóteses e reduzir significativamente o tempo necessário para alcançar resultados em áreas como mineração, semicondutores ou desenvolvimento farmacêutico.
Neste contexto, o anúncio do chip Majorana 2 representa um dos avanços mais significativos apresentados no Build 2026. Esta nova geração de chips quânticos demonstra melhorias substanciais em fiabilidade, com uma duração média dos qubits de cerca de 20 segundos e uma fiabilidade até mil vezes superior à da geração anterior. Paralelamente, estabelece um caminho claro para atingir um milhão de qubits num único chip que cabe na palma da mão, criando as bases para sistemas de computação quântica à escala.
Com a ajuda da IA agêntica, a Microsoft aponta para a concretização de uma máquina quântica escalável até 2029, abrindo novas possibilidades para resolver problemas complexos em áreas científicas e industriais que hoje permanecem fora do alcance da computação tradicional.
Com estes anúncios, a Microsoft reforça o papel central dos programadores na transformação tecnológica em curso, disponibilizando uma plataforma integrada que combina inteligência, flexibilidade e controlo. A visão apresentada no Microsoft Build 2026 aponta para um futuro onde a inteligência artificial está profundamente integrada na forma como as organizações trabalham e inovam.
O conjunto completo de novidades pode ser consultado no blog oficial do Microsoft Build.
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