A The Navigator Company encerrou 2025 com um desempenho sólido no ano mais exigente das últimas décadas para a indústria de celulose e papel. A queda acentuada dos preços internacionais, de pasta (e papel), o aumento dos custos de energia e químicos e a instabilidade internacional condicionaram os resultados. Apesar deste enquadramento, a Empresa reforçou a sua resiliência, cresceu em volume em todos os negócios papeleiros e acelerou a transformação estratégica. Afirmou também a sua posição competitiva e entra em 2026 mais preparada para captar a recuperação que já começou a dar sinais no final do ano.
Os novos negócios – Tissue e Packaging – são hoje um pilar central desta transformação. Representam já quase 33% do EBITDA (122 milhões de euros) e continuam a ganhar relevância na estrutura de resultados, contribuindo para atenuar o impacto conjuntural da evolução negativa dos preços da pasta e do papel. Em quase uma década, o Tissue evoluiu de cerca de 5% para aproximadamente 25% do volume de negócios, enquanto o Packaging, desenvolvido nos últimos cinco anos a partir das atuais fábricas de papel de impressão e sem qualquer aumento de capacidade, representa atualmente mais de 4% das vendas totais.
No âmbito da sua estratégia de crescimento no segmento de Tissue, a Navigator iniciou em 2025 uma análise de viabilidade para a instalação de uma nova máquina de produção de papel Tissue, com capacidade produtiva de 70.000 toneladas anuais, que visa abastecer a sua operação de transformação no Reino Unido. Na sequência deste estudo foi agora tomada a decisão final de investimento para a instalação de uma nova máquina, que ficará localizada no complexo industrial de Aveiro. Com arranque de operação previsto para março de 2028, o investimento ascenderá a cerca de 115 milhões de euros (48 M€ em 2026, 53 M€ em 2027 e 14 M€ em 2028), e beneficiará de um apoio ao abrigo do programa Portugal 2030. Trata‑se de um projeto que avança num momento exigente, mas que reforça a confiança da empresa no potencial do mercado Tissue e na sua própria capacidade de execução e criação de valor.
O ano de 2025 revelou-se o pior de sempre para o mercado global de pasta, evidenciado por uma queda acentuada nos preços da pasta na China após abril, com impacto significativo na Europa. Embora os preços nominais na China tenham ficado acima dos níveis de 2016 e 2020, o ajustamento pela inflação acumulada mostra que o preço real atingiu o nível mais baixo de sempre. O preço médio anual fixou‑se em 540 USD.
Os preços da pasta recuaram 16% na China e 12% na Europa, refletindo um contexto de forte desequilíbrio entre oferta e procura que afetou de forma transversal a indústria. Entre as principais dinâmicas que explicam a queda dos preços da pasta importa salientar: o excesso de capacidade instalada no mundo, nomeadamente devido aos elevados investimentos realizados na China, onde foram adicionadas mais de 6 milhões de toneladas de pasta em 2024–2025; o surgimento de novas unidades industriais chinesas altamente competitivas em capex por tonelada, que beneficiam de madeira local temporariamente disponível dada a crise no imobiliário e de apoios estatais relevantes; uma procura mais fraca nos mercados desenvolvidos como a Europa e a América do Norte; os baixos níveis de consumo de papel e cartão e taxas de ocupação da indústria (pasta, papel e cartão) historicamente baixas, nomeadamente na Europa e na Ásia; e as tensões no comércio internacional, com tarifas aduaneiras e incerteza geopolítica. Este enquadramento conjuntural teve impacto expressivo nas margens do setor, a que a Navigator não ficou imune.
Os cash costs foram impactados pelas paragens de manutenção nas unidades da Figueira da Foz, Aveiro e Setúbal, que contribuíram para uma menor diluição dos custos fixos, bem como pelos encargos associados a medidas anti‑dumping e tarifas aduaneiras. Ainda assim, os cash costs unitários encerraram o ano em níveis inferiores aos observados no início de 2025.
O volume de negócios da Empresa atingiu 1.970 milhões de euros e o EBITDA situou-se em 376 milhões de euros com uma margem de 19%. O resultado líquido foi de 145 milhões de euros. O sucesso da estratégia de diversificação da Empresa contribuiu para atenuar o impacto da pressão sobre os resultados decorrente da expressiva queda dos preços na Pasta e Papel Uncoated Woodfree (UWF) registados no período.
Reforço da competitividade no Papel de Impressão e Escrita
No segmento de Impressão e Escrita, a Navigator contrariou a tendência da indústria e reforçou a sua competitividade. Em 2025, a empresa aumentou a sua quota de mercado global em 1,5 pontos percentuais, atingindo cerca de 26% das entregas totais da Europa, reafirmando a sua posição de líder europeu. Este desempenho foi impulsionado pelo crescimento nos mercados internacionais (não europeus), onde a quota avançou 5 pontos percentuais, enquanto a quota europeia cresceu 0,5 pontos percentuais. Estes resultados refletem a capacidade da companhia para captar procura num contexto em que a indústria europeia registou uma redução de 1% na entrada de encomendas face ao período homólogo. Em contraciclo, face a 2024, a Navigator assistiu a um aumento de 13% na entrada de encomendas (+8% na Europa e +20% nos mercados internacionais), o que permitiu reposicionar os seus níveis da carteira de encomendas em patamares muito confortáveis, após a contração a que se tinha assistido no ano anterior. A empresa aumentou em 20 dias a carteira de encomendas, ao longo de 2025, superando de forma expressiva a concorrência. No fecho do ano, também conseguiu reduzir os stocks para um nível que representa menos de metade dos pares do setor.
Na Europa, o preço médio de vendas da Navigator acompanhou a evolução dos preços de referência, mas com duas estratégias distintas. Por um lado, dada a situação económica na Europa e a agressividade da concorrência, a empresa penetrou mais nos produtos económicos e standard, o que permitiu a captura de volume adicional, ainda que com impacto negativo no preço médio, dado o impacto no mix de produtos rico que a Navigator mantém tradicionalmente no seu negócio Papel. Por outro, graças a qualidade superior da nossa oferta foi possível aumentar os price premium nos produtos de maior valor acrescentado, com destaque para a marca Navigator. Nos mercados internacionais, os preços foram penalizados pela desvalorização do dólar e, principalmente, pelo recuo do índice PIX BHKP China.
Tissue consolida crescimento e expansão internacional
O negócio de Tissue manteve uma trajetória de crescimento, com um aumento de 6% no volume de vendas. Neste segmento, as vendas internacionais (fora de Portugal) representaram 80% do volume de vendas em 2025 (vs. 54% em 2022, antes da integração da Tissue Ejea e Tissue UK), sendo os mercados mais representativos, o mercado inglês, com 34% do total de vendas, o espanhol, com 30% do total de vendas, e o francês, com peso de 14% das vendas. Nos últimos dois anos, as aquisições de novas unidades em Espanha e no Reino Unido permitiram equilibrar o nosso mix geográfico, oferecendo mais resiliência ao negócio, que se foca essencialmente em produto acabado (representou 98%, sendo as bobinas 2% das vendas totais). No que diz respeito à estratificação por segmento de clientes, o At Home ou Consumer (retalho) tem registado um peso crescente, com 83% das vendas, e o segmento Away from Home (grossistas, canal Horeca e escritórios) representa os restantes 17%.
Para o crescimento do Tissue em 2025 contribuiu a integração do negócio da Navigator Tissue UK, concretizado em maio de 2024, que, para além de potenciar a diversificação do portefólio de produtos e o aumento de vendas, também alargou a base de clientes.
Packaging aumenta volume de vendas em 8%
Produtos inovadores como gKRAFT™ Bioshield e as novas soluções de packaging “From Fossil to Forest” consolidam o futuro da empresa em segmentos de maior crescimento e mais sustentáveis.
O Packaging apresentou um desempenho robusto, beneficiando da maior procura por soluções sustentáveis de baixas gramagens. As vendas cresceram 8%, com um aumento de volume de vendas em toneladas de 11% e de 17% em área vendida de papel, dado o crescente peso de produtos com gramagens inferiores. A Europa concentrou 71% das vendas, com os restantes 29% registados também em mercados externos.
Neste segmento assumem relevância sobretudo as soluções para embalagens alimentares e não alimentares de baixas gramagens – numa operação 100% assente na marca própria gKRAFT™ – e que representam áreas de prioridade estratégica para o negócio da Navigator, bem como os produtos release liner dedicados a produtos de Higiene Feminina e Personal Care. A introdução inovadora das qualidades da fibra de eucalipto nestes produtos tem sido determinante para a sua crescente aceitação e reconhecimento no mercado.
Gestão financeira sustentável: disciplina, investimento responsável e solidez estrutural
A Navigator manteve a disciplina financeira e o investimento orientado para o futuro. O rácio entre Dívida Líquida e EBITDA situou-se em 1,87x e a empresa gerou 89 milhões de euros de cash flow livre. O investimento totalizou cerca de 210 milhões de euros, dos quais 60% em projetos ambientais e de sustentabilidade. Entre os projetos estruturantes destacam-se a nova Caldeira de Recuperação Química, em Setúbal, já concluído, e a futura reconversão da máquina PM3 para produção de papéis de embalagem flexível, em baixas gramagens, que posicionará a empresa entre os maiores produtores europeus deste segmento. A empresa reforçou ainda o investimento em Inteligência Artificial e digitalização, consolidando o NVG Hub como canal estratégico, que atingiu cerca de 300 milhões de euros em encomendas online, estando agora disponível para todas as unidades de negócio.
Liderança ESG amplamente reconhecida
A Navigator reforçou a sua posição como referência global em sustentabilidade, consolidando uma liderança ESG amplamente reconhecida. A empresa alcançou a classificação A pelo CDP nas áreas de Clima e Floresta – um nível atingido por apenas 2% das 22.000 empresas avaliadas – e foi distinguida como low-risk pela Sustainalytics, integrando ainda o grupo das 2025 ESG Top-Rated Companies.
No âmbito energético, 78% da eletricidade produzida pela Navigator provém de fontes renováveis, refletindo o compromisso contínuo com a transição energética. Este percurso de excelência foi igualmente reconhecido com o prémio Forbes “Grande Empresa do Ano”.
Sinais de melhoria já visíveis para 2026
Os preços da pasta iniciaram no final da segunda metade de 2025 um movimento de recuperação que se prolonga em 2026. O índice na China situa-se atualmente nos 585 USD (+10% vs. 4.º trimestre de 2025) e, na Europa, nos 1.250 USD (+16% vs. 4.º trimestre de 2025). Também desde o início do ano de 2026, os principais produtores latino-americanos anunciaram aumentos adicionais de 50 USD para a China e 200 USD para a Europa, elevando os preços de lista de março para 615 USD e 1.330 USD, respetivamente. Esta evolução reflete um melhor equilíbrio entre oferta e procura, num contexto de maior disciplina do lado da oferta e ausência de novas capacidades relevantes até ao final de 2026.
No final de 2025, a Navigator anunciou aumentos de preços no Papel de Impressão e Escrita de 5-8% na Europa e 5-11% nos mercados overseas, tendo estes últimos sido rapidamente absorvidos, permitindo um novo incremento de 30 USD em janeiro. Foi igualmente anunciado um aumento de 5-8% nos Estados Unidos, com efeitos a partir de março. Estes movimentos foram acompanhados pelos principais players do setor, evidenciando a necessidade da indústria de reposicionar preços em patamares superiores, com impacto progressivo ao longo do primeiro semestre.
Nos Estados Unidos, os recentes encerramentos de capacidade – cerca de 670 mil toneladas – reforçam um défice estrutural estimado em cerca de 1,2 milhões de toneladas por ano (aproximadamente 25% do consumo), num mercado estruturalmente importador. Este contexto, aliado à maior disciplina da oferta global, cria condições mais favoráveis para a recuperação gradual das margens do setor.
Adicionalmente, os desenvolvimentos recentes na Indonésia poderão limitar a disponibilidade de madeira e introduzir constrangimentos adicionais na oferta, tendo já sido anunciadas reduções de produção por produtores locais.
Em novembro de 2025, a tempestade ciclónica tropical Senyar devastou vastas zonas da ilha de Sumatra, provocando inundações severas, deslizamentos de terra, 1.200 vítimas mortais e mais de 1,1 milhões de deslocados. As autoridades indonésias associaram a dimensão desta calamidade aos elevados níveis de desflorestação verificados nas últimas duas décadas, atribuindo responsabilidades à indústria local e procedendo à revogação de licenças florestais de aproximadamente 22 empresas fornecedoras de madeira a grandes exportadoras indonésias de pasta de celulose, papel UWF e tissue (abrangendo mais de 1 milhão de hectares). Esta decisão está a ter um impacto substancial nos produtores locais de celulose e papel pela limitação na disponibilidade de madeira local e, consequente, redução de produção de pasta suportando a trajetória de subida de preços. A tragédia em Sumatra vem confirmar a razão pela qual os produtores sino-indonésios que operam no país não têm conseguido certificar as suas florestas pelos sistemas internacionais, e constitui mais uma evidência para as autoridades europeias considerarem a Indonésia um país de risco para origem de madeira e produtos derivados no âmbito do regulamento EUDR.
No início de 2026, a passagem da depressão Kristin por Portugal continental originou condições meteorológicas adversas e extremas, vento forte, precipitação intensa e ocorrência de cheias, com impactos relevantes em várias regiões do país, em particular no Centro. Apesar de algumas operações industriais, designadamente nas fábricas da Figueira da Foz e de Vila Velha de Ródão, terem sofrido perturbações temporárias, nenhum equipamento essencial foi afetado e a produção foi retomada com normalidade poucos dias depois, assim que foi restabelecido o fornecimento de água e/ou energia, mantendo-se as restantes unidades industriais do Grupo em funcionamento regular. Também face à tempestade que afetou extensas áreas florestais, a Navigator posicionou‑se como parte ativa da resposta, em estreita colaboração com os produtores florestais afetados e com as regiões atingidas, apoiando a recuperação operacional e económica do setor.
A agilidade e flexibilidade das equipas da Navigator, na gestão integrada de todas as operações, desde a floresta até aos mercados, passando pelas diversas unidades industriais do grupo, bem como a sólida posição financeira da empresa, reforçam a sua capacidade para enfrentar os desafios do presente e preparar o futuro com confiança.
Com uma estrutura financeira robusta, foco contínuo na eficiência e na diversificação – especialmente nos segmentos de Tissue e Packaging – a Navigator reforça a sua resiliência, garantindo a sustentabilidade e competitividade do seu modelo de negócio.


