• 89% das organizações já identificam benefícios mensuráveis da inteligência artificial, mas apenas 12% avaliam consistentemente esses benefícios, comparativamente aos custos;
• O investimento médio previsto em IA para o próximo ano atinge os 187 milhões de euros, aumentando para 180 milhões de euros na região EMEA, onde regista um crescimento de 29%;
• 86% das organizações estão a adaptar as suas operações de cibersegurança para responder às ameaças potenciadas pela IA e 72% já integram formalmente a soberania dos modelos nas suas decisões;
• Mais de metade das organizações (53%) atribui à gestão de topo a responsabilidade pelas decisões apoiadas por IA, enquanto a adoção significativa de agentes de IA pelos colaboradores aumenta de 25% para 34%.
• O investimento médio previsto em IA para o próximo ano atinge os 187 milhões de euros, aumentando para 180 milhões de euros na região EMEA, onde regista um crescimento de 29%;
• 86% das organizações estão a adaptar as suas operações de cibersegurança para responder às ameaças potenciadas pela IA e 72% já integram formalmente a soberania dos modelos nas suas decisões;
• Mais de metade das organizações (53%) atribui à gestão de topo a responsabilidade pelas decisões apoiadas por IA, enquanto a adoção significativa de agentes de IA pelos colaboradores aumenta de 25% para 34%.
Lisboa, 4 de Novembro de 2026 – As empresas continuam a acelerar o investimento em IA (inteligência artificial), mas a capacidade de medir o retorno económico desta aposta tecnológica permanece um dos principais desafios. De acordo com o Global AI Pulse Q3 2026, da KPMG, embora 89% das organizações já identifiquem benefícios mensuráveis da IA, apenas 12% avaliam de forma consistente o valor gerado face aos respetivos custos. Outros 26% fazem esta avaliação na maioria das iniciativas, mas ainda não de forma transversal à organização.
O estudo, que reúne as respostas de 2.131 líderes empresariais em 20 países, revela que o investimento médio previsto em IA para o próximo ano aumentou 13% desde o primeiro trimestre de 2026, passando de 165 para 187 milhões de euros por organização. A aceleração é particularmente expressiva na região EMEA (Europa, Médio Oriente e África), onde o investimento previsto cresceu 29%, de 139 para 180 milhões de euros, acima do crescimento registado nas Américas (7%) e na Ásia-Pacífico, onde permaneceu praticamente estável.
Para Rui Gonçalves, Partner Head of Technology Consulting da KPMG em Portugal: «A inteligência artificial está a entrar numa fase em que a prioridade das empresas deixa de ser apenas a adoção da tecnologia e passa a ser a capacidade de transformar o investimento em resultados concretos e sustentáveis. O facto de a maioria das organizações já identificar benefícios, mas apenas uma pequena percentagem conseguir relacioná-los sistematicamente com os custos, demonstra que ainda existe um caminho importante a percorrer. Para as empresas portuguesas, o risco não é investir pouco, é investir sem saber o que gera retorno em eficiência, competitividade e capacidade de decisão. Isso exige uma estratégia clara, mecanismos de avaliação do retorno e uma gestão rigorosa dos riscos, com a mesma disciplina que se aplica a qualquer outro investimento».
Apesar do crescimento do investimento, a capacidade de demonstrar o valor económico da IA continua a evoluir a um ritmo diferente. Embora 61% das empresas analisem os custos associados à tecnologia no momento de aprovação dos investimentos e 59% os acompanhem durante a utilização, são ainda poucas as que conseguem relacionar sistematicamente esses custos com os resultados alcançados. Entre as organizações que já apresentam um retorno consolidado do investimento em IA, a percentagem que realiza esta avaliação de forma consistente sobe para 48%.
Europa acelera adoção de IA e aproxima-se das regiões mais avançadas
O relatório revela, também, uma redução significativa das diferenças de maturidade da IA entre regiões. Atualmente, 64% das organizações nas Américas encontram-se numa fase de implementação em escala ou mais avançada, comparativamente com 61% na Ásia-Pacífico e 56% na região EMEA. Nesta região, este indicador aumentou 16% desde o primeiro trimestre, passando de 40% para 56%, evidenciando uma aproximação às regiões mais avançadas. A diferença global de maturidade entre regiões reduziu-se, assim, de 16 para oito pontos percentuais.
A utilização de agentes de IA está, igualmente, a ganhar expressão no contexto empresarial. Segundo o estudo, 34% das organizações reportam uma adoção significativa destas ferramentas pelos colaboradores, contra 25% no primeiro trimestre. Em paralelo, 38% das empresas estão a desenvolver ou implementar sistemas multiagente, nos quais diferentes agentes de IA colaboram na execução de tarefas e processos.
Esta evolução está, também, a transformar as prioridades empresariais: embora os ganhos de produtividade continuem a ser o principal objetivo associado à IA, a sua importância relativa diminuiu de 42% para 37% desde o início do ano. Em contrapartida, ganharam relevância a colaboração entre pessoas e IA (32%), a IA responsável e a governação (30%) e a confiança e segurança (30%).
Cibersegurança e soberania tecnológica assumem papel central
À medida que a inteligência artificial passa a integrar processos cada vez mais relevantes para o funcionamento das empresas, a gestão dos riscos tecnológicos e a continuidade das operações tornam-se preocupações centrais. O estudo revela que 86% das organizações estão a adaptar os seus modelos operacionais de cibersegurança para responder às ameaças potenciadas pela IA, através do reforço de políticas, processos e mecanismos de controlo.
Esta preocupação é particularmente expressiva entre as organizações mais maduras: 71% das que já apresentam um retorno consolidado do investimento em IA incluem a cibersegurança e a proteção de dados entre as suas prioridades de investimento, face a 36% das empresas ainda em fase de experimentação. A soberania tecnológica está, também, a ganhar importância nas decisões empresariais: cerca de 72% das empresas consideram formalmente questões relacionadas com o controlo dos modelos de IA, dos dados e da propriedade intelectual, sendo que 21% já dispõem de uma estratégia transversal sujeita a revisão regular.
Link para o estudo aqui.
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