A Fortinet destacou os novos desafios de segurança associados à adoção de Inteligência Artificial, do Shadow AI à proteção de modelos e aplicações de Inteligência Artificial.
A Fortinet reuniu especialistas e profissionais do setor no Security Day Portugal 2026, na FIL, para debater o impacto da crescente adoção de Inteligência Artificial (IA) nas organizações e os novos desafios que esta transformação coloca à cibersegurança.
Filippo Cassini, Global Technical Officer, SVP of Engineering e Head of Pre-Sales da Fortinet, e Renaud Bidou, Presales Director, MSSP/Telco EMEA da Fortinet, abordaram diferentes dimensões desta mudança, desde o potencial da IA para acelerar e automatizar as operações de segurança até à necessidade de proteger as próprias aplicações, modelos e sistemas baseados nesta tecnologia.
Filippo Cassini alertou para o facto de muitas organizações continuarem a gerir ambientes de segurança compostos por múltiplas ferramentas pouco integradas entre si, num momento em que os ataques beneficiam de níveis crescentes de automação e podem desenvolver-se mais rapidamente. Neste contexto, a resposta não pode passar apenas pela adoção de novas soluções. É necessário que as diferentes tecnologias consigam trabalhar de forma coordenada, partilhar informação e automatizar processos de deteção e resposta. Esta necessidade de maior integração torna-se particularmente relevante num momento em que as organizações têm de gerir uma superfície tecnológica cada vez mais distribuída, que inclui ambientes on-premises e cloud, aplicações SaaS, trabalhadores remotos, sistemas OT e, agora, aplicações e agentes de Inteligência Artificial.
Um dos desafios identificados por Filippo foi o Shadow AI, a utilização de ferramentas de Inteligência Artificial fora dos mecanismos de governação definidos pela organização. À medida que os colaboradores recorrem diretamente a aplicações externas de IA, as empresas podem perder visibilidade sobre que ferramentas estão a ser utilizadas, por quem e, sobretudo, que informação está a ser partilhada com essas plataformas.
Já Renaud Bidou começou por afastar uma das ideias que têm acompanhado a atual discussão sobre Inteligência Artificial, de que a tecnologia constitui, por si só, uma solução para qualquer problema.
A IA deve ser encarada como uma ferramenta e a sua eficácia continua dependente da qualidade dos dados, do contexto em que é utilizada e dos controlos que a acompanham. Partindo do princípio de “garbage in, garbage out”, Renaud reforçou que informação incorreta ou incompleta gera resultados igualmente incorretos.
O responsável recordou ainda que a utilização de Inteligência Artificial e machine learning em cibersegurança começou há vários anos. O que está a mudar é a escala e a capacidade dos modelos, suportados num aumento da capacidade de processamento disponível.
A IA está a assumir um papel crescente na proteção das organizações, mas a própria Inteligência Artificial precisa de ser protegida. Filippo Cassini enquadrou esta realidade em diferentes dimensões, utilizar IA para identificar padrões e ameaças, recorrer à tecnologia para processar informação e acelerar a resposta e, simultaneamente, proteger os próprios sistemas de Inteligência Artificial. Renaud Bidou sublinhou, por sua vez, a necessidade de estabelecer controlos e de proteger os modelos de linguagem contra ataques dirigidos à sua utilização ou funcionamento.
A evolução da cibersegurança passa a acontecer em duas direções complementares: AI for Security, utilizando Inteligência Artificial para reforçar as capacidades de proteção, análise e resposta; e Security for AI, protegendo as aplicações, modelos e infraestruturas que suportam a adoção desta tecnologia. Esta nova realidade reforça também a necessidade de maior visibilidade e controlo sobre ambientes tecnológicos cada vez mais complexos. Quanto maior for a utilização de IA e de agentes capazes de interagir com diferentes sistemas, maior será a importância de garantir que as diferentes componentes da infraestrutura conseguem partilhar informação e contexto de forma integrada.
Ao longo do Security Day Portugal 2026 foram ainda debatidos temas relacionados com o valor da IA para o negócio, soberania digital, telecomunicações e o futuro da cibersegurança, reunindo especialistas da Fortinet e responsáveis de diferentes organizações para analisar os desafios associados à adoção segura de Inteligência Artificial.
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